“Herrar é Umano”

Uma das principais causas de prazer e também de desconforto numa relação D/s é o erro. Digo prazer porque é por meio pelo qual o Dominador justificar um castigo a ser aplicado na escrava. E também é esse mesmo erro que faz a escrava ficar numa situação ruim, sentimento de culpa, medo de reincidência e tristeza por ter desagrado o Dono. E por mais que o Dono diga que normal errar, não tem escrava que consiga lidar com isso com tranqüilidade.

Muito já se falou e escreveu sobre o erro nos relacionamentos BDSM, o Mestre já discutiu sobre isso no site e se venho trazer novamente esse assunto para discussão é porque o vejo como uma caixinha de pandora, que cada vez mais tem provocado inquietações tanto em quem domina como em quem é dominado.

 

Falando especificamente do Reino de K@, mas sei que isso acontece em outras vivências também, o erro acaba sendo a mola que impulsiona e mobiliza tudo que acontece num relacionamento D/s. A escrava erra, o Dono ensina mais de uma vez, depois adverte, a escrava pede perdão, mas volta a errar novamente, até que vem o castigo e assim sucessivamente.

Pensando por um lado esse jogo é bem excitante, pois a cobrança do erro torna-se cada vez mais sádica e prazerosa. A escrava por sua vez tem oportunidade de dar mais prazer para o Dono, mas ao mesmo tempo sofre. Dói mais ser castigada por um erro cometido (reincidência nem se fala), do que pelo simples prazer do Dono.

Mas por outro lado, o que leva uma escrava a errar repetidas vezes o mesmo erro? Até que ponto essa prática se justifica numa relação D/s? Tencionaria ela proporcionar mais prazer para o seu Dono? É sabido que a maioria das escravas não lida muito bem com o erro, então porque erram tanto a mesma coisa se o desejo é ver o Dono feliz? E como o Dominador vê essa situação? Sente prazer sempre com os erros da escrava?

Responder a essas questões não é tão fácil, pois demanda diversos fatores que envolvem os relacionamentos D/s. O que expresso aqui sobre essa questão é fruto de minhas percepções oriundas de um bom tempo que tenho no SM, onde tive a oportunidade de conviver com muita gente. E também por experiências dos meus próprios erros, aliás, que cometo bem mais do que eu gostaria...rs.

Usar o trocadilho “herrar é umano” foi proposital; nós escravas erramos de todas as formas, desde os erros mais bobos, até erros graves. Errar é humano sim e que estamos sujeitos a repeti-los mais de uma vez: por desatenção, falta de motivação, desinteresse, medo de errar, insegurança, pressão psicológica e outros.

Mas chega um ponto que essa reincidência tem limite. Nenhum Dominador se sente tranquilo com a escrava que não conseguem vencer pequenos obstáculos e acertar o mínimo, por mais que Ele sinta prazer no erro, a constância deles passa a ser preocupante. Da mesma forma, nenhuma escrava que não consegue acertar quase nada, se sente bem com isso.

Dias atrás foi feita uma enquete no site do Reino sobre esse assunto e o resultado foi surpreendente: O motivo de erros sucessivos e incontroláveis cometidos por uma escrava é: 45% das pessoas escolheram a falta de sintonia com a fantasia do Dono, 31% desmotivação com a fantasia SM, 14% algo angustiante e inexplicável e 6% falta de atenção. Totalizando 96 votos. Isso nos leva a observar que a causa dos erros constantes é um pouco mais complexa do que uma simples desatenção.

Percebo que para muitas escravas que entram no SM, no início tudo são flores, mas quando a coleira começa a apertar e elas são chamadas a viver de fato a sua submissão, as coisas complicam. As expectativas mudam muitas vezes e também a realidade que encontram é bem diferente do sonho idealizado. A rotina cansa, estressa, desmotiva, o vislumbre de ter com o Dono mais do que Ele tem para oferecer começa a incomodar e como consequência a disposição para cumprir tarefinhas rotineiras já não encanta tanto mais. Aí que os erros constantes aparecem... até o limite do suportável.

Vejo que nessa hora o diálogo franco é fundamental para aparar as arestas, onde Dono e escrava possam rever os propósitos da relação; se for o caso, decidem juntos tomar caminhos diferentes, ou retomar a vivência de forma madura. O que para mim é paranóia é a escrava com medo de perder o Dono, ficar se violentando e simulando uma felicidade que está longe de sentir. A relação D/s é muito prazerosa, mas é difícil também e requer renúncias que nem sempre estamos preparadas para oferecer.

Como eu não acredito em consensualidade dentro do SM, vejo que é necessário que a escrava tenha uma verdadeira apetência pela fantasia do Dono, caso contrário, não se enquadra e vai continuar “herrando umanamente” muito e infeliz. E se optamos por viver o SM é pela busca do prazer e para viver momentos felizes, não dá para ser diferente. O erro é prazeroso e se justifica mas não o excesso dele.

por: kalía | K@ |


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