A forte condição frágil da submissa

Somos seres em construção, caímos e levantamos diariamente, portanto não somos modelos para ninguém, não existem modelos. Quando penso que estou ficando boa, cometo um erro maior que o anterior e volto na estaca zero... Assim é a vida, e mais especificamente falando da vida de escrava. Vivemos na constante corda bamba do acerto-erro.

Toda escrava que tem vivência real, sempre tem fantasias íntimas, que muitas vezes, não ousa reconhecer nem para si mesma. Passa o tempo se perguntando: tento ou não? Meus limites me permitem pelo menos tentar propor para o meu Dono? Digo escravas por ser meu foco, mas esse tipo de situação acontece com qualquer um.



Pensando um pouco sobre minhas vivências no Reino de K@ e na fantasia do Mestre, vejo que o dia que Ele conseguir viver tudo que deseja, sem qualquer tipo de interferência, ou seja, sem limites por parte da escrava, do tipo conseguir viver uma relação bem próxima do tempo da escravidão, com certeza Ele terá encontrado a escrava perfeita. Só que perfeição não existe nesse mundo! E o limite passa a ser interessante quando o jogo da conquista, de envergar as vontades e a natureza rebelde (natureza rebelde não é sinônimo de insubmissão) da escrava, passa a ser um trunfo em Sua mão. Nenhum Dominador gosta de escrava alienada, o que aguça seu lado sádico Dele, é a forma que utiliza para moldar a mulher na condição de submissa.

E nós submissas como ficamos nessa? Pelo domínio psicológico, somos "convencidas" a romper muitos mais limites do que ousamos pensar, descobrimos novas vivências, engolimos sapos. O que nos impulsiona é a nossa motivação pelo servir. Mesmo com dificuldades fazemos porque queremos fazer.

Quem não gostaria de viver fantasias sem limites? Até eu queria! Queria ser um monte de coisas como escrava, mas não consigo. Nesse ponto reforço que o limite funciona como um abaixa-topete... como se diz: você pensa que é a fodona, que pode tudo? Sua fragilidade é a prova de que você tem muito ainda o que melhorar...

Submissão e entrega não são atitudes impostas, são intrínsecas. Intrínseco é algo que vem de dentro e não o que algo que alguém me faz ficar, ou fazer. Nenhum Dominador “faz” uma submissa, mas sim, Ele tem a capacidade de burilá-la, se ela já tem a predisposição de servir.

O Mestre não me “fez” submissa, Ele me deu elementos significativos para que eu chegasse a ser o que sou hoje e eu cheguei por livre vontade. E isso Ele faz com todas as suas outras escravas. Cada uma responde de forma diferente, nenhuma entrega é igual e toda entrega é condicionada com os interesses e motivações de cada uma.

Penso que um Dominador jamais constrói uma submissa, ou um Sádico uma masoquista. Quem constrói essas personagens somos nós mesmas! Se essas vivências não são a sua praia, mas você quer agradar, pode até tentar por um tempo, mas não sempre. Se não curte se submeter e o faz por falta de opção, vai acabar cometendo uma agressão intima consigo mesma.

Por diversos motivos digo que nunca seremos esse ideal de escrava que fantasiamos em muitos de nossos sonhos de criança: do tipo vou me entregar sem reservas, sou capaz de viver e sofrer tudo por amor submisso... Isso é utopia porque nossas limitações insistem em nos lembrar o quanto é tênue a fio que sustenta nossos desejos de superação diante das adversidades!

E é neste momento que sinto o valor da entrega... quando travo uma luta comigo mesma diante do desejo de fazer tanto e ao mesmo tempo me vejo escorregar em coisas tão pequenas... A grande lição que tiro disto, é quando deposito aos pés do meu Senhor todas minhas inquietações com a confiante certeza que só o domínio Dele tem o poder de conduzir minhas fraquezas e medos, meus sonhos e mais íntimos desejos. Esse é o maior prêmio da submissão!

por: kalía * K@ *


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