SM e Liberdade

O Mundo é preconceituoso. Crescemos em meio a tantos ataques às minorias e muitos de nós talvez carregue dentro de si algum tipo de preconceito. E nem preciso aqui descrever o significado da palavra porque todos já a conhecem bem. Se julgo é porque já tenho um conceito dentro de mim. Viver acima dos conceitos e das imposições que a sociedade nos impõe, deve ser desejo de todos, mas com certeza uma utopia. Basta ver que na maioria das vezes, gravata e terno fazem a cabeça de muitas pessoas que acham justo julgar alguém pela aparência. Certo é que, deveríamos nos aproximar das pessoas apenas porque elas nos agradam e não porque são bonitas ou importantes. Ricas ou influentes.

 

Mas isso com certeza não serei eu a mudar. O que gostaria de dizer aqui e ouvir a opinião das pessoas é sobre como vivemos o BDSM. Devemos entender que todos que optam por vivê-lo, o fazem por vontade própria. Escolhem seus papéis e por isso devem vivê-los com transparência e verdade. Isso é muito falado, sempre se levantam bandeiras sobre como se deve viver a submissão ou a dominação. O que gosto no BDSM, falo isso tendo como referência pessoas sérias e bem intencionadas que curtem este estilo de vida, é que todos estão unidos para um único fim que é o do prazer. E todos vivem esse prazer da forma que escolheram.


O preconceito não existe. Idade, cor, opção sexual, peso, altura, nada disso é julgado ou condenado. E reforço aqui que estou falando das pessoas sérias. Ao conhecer as pessoas do meio, que são pessoas de bom caráter e bem intencionadas - porque as que não são eu deleto sem culpa - fiquei realmente encantada em descobrir que posso falar sobre as minhas fantasias, meus desejos, mesmo que mais "escabrosos" porque aqui ninguém julga. Ninguém critica.

Percebi que posso ter um carinho grande por alguém que nunca vi pessoalmente ou por pessoas que vi poucas vezes, mas que se tornaram muito queridas. E isso, sem saber se são negras ou brancas, hetero ou homossexuais, magras ou gordas. Não se julga as aparências. Dentro do SM nos damos o direito de julgar apenas o caráter de quem não se comporta direito. De resto, gostamos das pessoas. Somos solidárias.. dividimos os prazeres... as dores... as angustias. Aqui é onde sou mais livre, mesmo que acorrentada a meu DONO.

Costumo dizer que meu DONO é a pessoa que mais me conhece no mundo. Meu marido tem metade de mim - a vida baunilha - que implica nos problemas, no viver, no correr atrás. Meu Dono tem a outra metade, mas a melhor. Aquela do prazer, dos desejos insanos e loucos da minha alma. Com meu marido vivo o que a vida me impõe. Com meu Dono vivo o prazer intimo de servi-Lo, vivo a felicidade plena da minha alma cativa. Porque foi uma escolha minha.

Aos praticantes do BDSM, não é importante saber se a pessoa com quem nos envolvemos gosta de comer massa ou comida japonesa, se gosta de dramas ou comédias, se curte praia ou montanha. Isso é apenas um detalhe que só tem interesse para colocar em prática alguma vivência. As alegrias compartilhadas, falam sempre a mesma língua mesmo que cada um esteja de um lado oposto.

Aqui posso me abrir, expor minhas vontades, meus anseios. Posso ser eu mesma sem ter que fingir que sou uma Senhora casada conservadora ou uma executiva que carrega a empresa nas costas ou ainda uma filha que deve seguir o exemplo dos pais. Aqui sou eu mesma! É a minha essência quem fala, quem escreve e quem vive. Sou plena. Não tenho amarras do puritanismo que sempre abominei. Não preciso ser quem não sou. Meu único comprometimento é o de agir de acordo com o papel que escolhi. Como submissa, me coloco aos pés do meu Dono para servi-Lo como Ele quer. Isso sim foi uma escolha minha e por isso hoje, para mim a felicidade não é mais utópica. Ela existe e eu a vivo plenamente.

Poder viver sem os véus da ignorância ou sem tampar o sol com a peneira, é a maneira mais feliz de encarar a vida. Quem sabe um dia somos aceitos como seres normais (rsss). Quem sabe no futuro poderemos falar de nossas preferências sexuais ou fantasias de maneira aberta sem sermos por isso banidos do rol de amigos, ou sermos taxados de "um perigo para a sociedade".

Muita coisa mais há para ser dita e se o leitor quiser poderia deixar aqui a sua opinião. Talvez você não concorde com o que escrevi e colocando aqui o seu ponto de vista, seria uma troca de experiências.

por: karla { K@ }


Catrina Saint Paul de Vence Gravatar   22.02.2015 13:49
SM E LIBERDADE Boa Tarde Karla!
Primeiramente quero lhe agradecer pelas sempre belas palavras sobre a sua vivencia no BDSM.
Eu me identifico som este texto, pois, gostaria muito de assumir a minha submissão perante a sociedade. Acho muito triste ter que viver uma vida dupla, pois essa vida que amo (BDSM) é minha vida verdadeira e a baunilha é uma encenação diária. Realmente aqui neste site me sinto livre e que não sou sozinha na minha escolha.
 
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