Quando conheci o BDSM, lembro-me que os primeiros contatos eram feitos por meio de anúncios publicados em jornal ou certos tipos de revistas. A comunicação era feita via Caixa Postal do Correio. Era necessário esperar vários dias para se obter a resposta, isto quando ela ocorria.

Nessa época o acesso à Internet no Brasil ainda era muito limitado. Participei de reuniões do “Grupo SoMos”, em São Paulo, criado para pensar o BDSM na coletividade. Frequentei o Valhalla, primeiro Clube com temática SM. Fui inúmeras vezes ao Clube Dominna e participei de Plays-Party. Ministrei palestras, em oportunidade comemorativas, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e no Distrito Federal.

Conversei com dominadores, submissas e curiosos, pessoas que, como eu, curtem o BDSM.

Já ao participar das redes sociais, chama a minha atenção a quantidade de "dominadores” que afirmam ter 30, 40 anos de experiências no BDSM, alguns até se autointitulam precursores do movimento no Brasil, mas o fato é que ninguém conhece ou ouviu falar, só existem no meio virtual e para não se identificarem inventam histórias mirabolantes.

O que não dá para entender é que vivendo em plena era da informação, onde, cada vez mais, todos vivem em um constante estado de vigilância, um número considerável de submissa na ânsia de viver suas fantasias, ainda se deixam levar por este tipo de pessoas mal-intencionadas.

Dominadores que não se apaixonam por suas escravas, com discurso pronto, com rico repertório em desculpas, que faz e acontece, até o dia que a escrava se cansa, devolve a coleira e aí a casa caí. A partir de então, estas pessoas passam a retratar sua verdadeira identidade, quando, de posse de informações que sua ex-escrava lhe confiou, esses “poderosos ordinários” passam a usá-las como instrumento de chantagem.

Fazem ameaças em níveis sórdidos e do mais baixo calão, expondo-a de forma vil diante de sua família, no trabalho e até mesmo no seu círculo de amigos. Práticas e atitudes espúrias e criminosas, como o uso de senhas pessoais, envio de fotos de sessão, golpes financeiros, telefonemas ameaçadores e degradantes, têm acontecido em nome do autêntico BDSM.

Submissa esteja alerta: “dominador” que nunca pode aparecer, certamente, também não realizará a sua fantasia. Informe-se, ninguém o conhece pessoalmente ou nunca ouviu falar, avance com cuidado. Tem a fantasia de ser sustentado financeiramente, isso é exploração. Afirmou que se não fornecer suas senhas do email pessoal e dos cartões de crédito, você não é submissa, saia de fininho!

Não perca de vista a linha que separa a fantasia da realidade. Quer viver o BDSM de forma segura? Crie uma conta de email para este fim e de preferência, sequer comente sobre seu perfil virtual, com amigos baunilha. Acredite! Vai evitar muitos aborrecimentos.

Está procurando um dono? É imperativo gastar tempo conhecendo o homem atrás do personagem. Informe-se o máximo possível. Ansiedade e confiança demasiada no incerto são os piores inimigos. Não sentiu firmeza? Recue! Muitas vezes é melhor dar um passo para trás e de forma segura e prazerosa seguir adiante.

Dominação passa longe de mau-caratismo!


  • Negrito
  • Itálico
  • Sublinhado
  • Stroke
  • Citação
  • Smileys
  • :confused:
  • :cool:
  • :cry:
  • :laugh:
  • :lol:
  • :normal:
  • :blush:
  • :rolleyes:
  • :sad:
  • :shocked:
  • :sick:
  • :sleeping:
  • :smile:
  • :surprised:
  • :tongue:
  • :unsure:
  • :whistle:
  • :wink:
 
  • 500 Caracteres restantes